11 de abril de 2014

A Menina que Roubava Livros por Markus Zusak

Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580574517
Ano: 2006
Páginas: 467
Classificação:   
Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria morte, de tão impressionada decidisse nos contar sua história. Após a morte de seu irmão mais novo, durante uma viagem de trem, Liesel roubaria seu primeiro livro nessa história: " O manual do coveiro". Livro que o coveiro que enterrou seu irmão deixou cair na neve. Após tal acontecimento, Liesel e sua mãe seguem viagem até seu destino final, a casa dos Hubermanns. Liesel fora abandonada ali, numa área pobre, perto de Munique para passar o resto da sua vida, sobre os cuidados do pintor falido Hans e sua mulher rabugenta Rosa. Os Hubermanns desde então se tornariam os novos pais de Liesel Meminger. Numa Alemanha transformada pela guerra, Liesel tem que seguir com sua vida tentando se convencer de que existe um motivo para sua existência. A partir de então, "O manual do coveiro" seria apenas o primeiro livro que a menina roubaria durante esses quatro e longos anos. O gosto de roubá-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito; E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas seriam mais tarde aplicadas ao contexto de sua prória vida, sempre com a assistência e o carinho de Hans; o judeu do porão Max Vanderburg; seu melhor amigo Rudy Steiner e a mulher do prefeito.

Finalmente, após anos de insistência das pessoas, eu me rendi e li A Menina que Roubava Livros.
O livro nunca esteve no topo da minha lista, por ter ouvido e lido diversas opiniões sobre ele. Alguns me diziam que era chato; que não valia à pena essas quase quinhentas páginas; enquanto outros disseram que era simplesmente um dos melhores livros que eles já leram. Então eu decidi que era a hora. Li o livro e achei muito bom.

A morte, como já diz na sinopse acima, conta a história de Liesel Meminger, que é abandonada pela mãe na casa de Hans Hubermann e Rosa Hubermann. A história se inicia com a morte de seu irmão no trem, onde durante seu enterro, a menina rouba seu primeiro livro "O Manual do Coveiro".
Devo confessar que o meu envolvimento com o livro ocorreu desde as primeiras páginas. Simplesmente achei brilhante a forma como esse livro foi escrito,  e como a morte é demais (que irônico, não?).
Sua escrita é tão acolhedora e envolvente que já te puxa emocionalmente para dentro da história e faz você acompanhar a evolução de Liesel durante sua jornada. Palmas para Markus, que conseguiu deixar a morte simpática, divertida, e muito interessante; virei fã. Os comentários da morte no meio da narrativa são geniais.

Nas primeiras cem páginas do livro, o que realmente vemos é a adaptação de Liesel em sua nova casa, se acostumando com sua nova vida. Marcada pela vergonha de não saber ler nem escrever, na escola Liesel é jogada numa turma para crianças mais novas e vira a piada da escola, até seu melhor e único amigo da rua, Rudy Steiner, brinca com ela de vez em quando. Mas o que ninguém sabia era o quanto isso a machucava e a envergonhava até que um dia, na escola, uns meninos vão caçoar dela e a menina dá uma bela surra neles.
O que achei muito legal no livro também é o crescimento do afeto de Hans (seu novo pai) pela menina e vice-versa. Enquanto Rosa (nova mãe) só sabia lhe xingar e gritar, o pai demonstrava seu carinho e tentava ajudar Liesel no que fosse necessário. Tanto que todas as noites em que os pesadelos não deixavam a menina dormir, ele lia para ela o livro que a menina havia roubado do coveiro no dia da morte de seu irmão.
Até que com a evolução da menina na escola, ele a ajudava a ler e conhecer novas palavras, fazendo-a circular as palavras desconhecidas e escrever na parede do porão. Dessa forma a jovem menina vai se afeiçoando a seu novo pai, aprendendo a ler e a mergulhar no mundo das palavras, que durante o livro todo, serve de refúgio para a menina de todos seus questionamentos, dúvidas e medos.

Achei que o grande forte da história está na relação de Liesel com os personagens que vem aparecendo na narrativa e que são essenciais para o enredo, como Max, filho de um amigo judeu de Hans, que eles escondem no porão e não podem falar sobre ele com ninguém, pois viviam numa Alemanha nazista.
A amizade que os dois criam é muito deliciosa de se ler, e muito fácil de se emocionar devido aos acontecimentos (fiquem curiosos, rs). Outro personagem extremamente importante é Ilsa Herman, a mulher do prefeito que da acesso livre a sua imensa biblioteca, onde Liesel passa seu tempo lendo livros emprestados.

O final, é uma coisa que não dá para se explicar.
Ele é capaz de te dar arrepios durante a leitura. A carga emocional é alta e o modo que a morte narra, faz você ficar chocado e talvez em alguns gere raiva; mas nada absurdo, já esperava um final dramático, afinal estamos falando de um drama aqui não é? O livro entrou para a lista dos meus favoritos!

Meu ritmo nessa leitura, não foi um dos mais rápidos, mas não foi culpa do livro e sim minha rs. Só não dei cinco estrelas, por que a nossa ilustre narradora, é meio impulsiva e sai nos revelando mortes antes mesmo delas acontecerem. Vou finalizar essa resenha com uma frase de Liesel Meminger e que tem tudo a ver com a história do livro. Espero que tenham gostado da minha primeira resenha =). Até a próxima.

"Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito" - Liesel Meminger

23 comentários

  1. Ótima resenha, tmb quero ler o livro, mas ainda não tive a oportunidade.
    Tmb já vi vários elogios, mas tmb muitas críticas, mas ainda assim quero ler o livro.

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  2. Olá Diego
    Gostei muito da sua resenha. Já li esse livro e simplesmente adorei. O narrador da história é totalmente inusitado, chamando nossa atenção já nas primeiras páginas. Outro ponto que também me agradou muito foi que a história se passa na Alemanha Nazista.

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    1. Obrigado Monica ! Fique atenta no Blog, dia 15 sai a próxima coluna justamente com o filme desse livro.

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  3. Não tive a oportunidade ainda de ler A Menina que Roubava Livros.
    Já li várias resenhas sobre o livro, e geralmente positivas,mas talvez não tenha lido por presumir que à estória seja muito triste.
    Quem sabe agora eu não leia?

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  4. Eu gosto muito deste livro, confesso que não foi um dos melhores dramas da Segunda Guerra que eu li, mas é muito bom mesmo assim, confesso também que esperava mais do final, o decorrer da história foi muito mais impactante, acabou meio sem graça, ao meu ver. Mas ao todo também classifiquei ele como 4 estrelas, porém não virou favorito.
    Ainda não assisti o filme, mas tenho curiosidade. =)

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  5. Eu sempre ouvi falar maravilhas sobre esse livro, mas sempre fui deixando em último plano a leitura do mesmo, quem sabe agora eu não resolva lê-lo de vez. Ah! dizem que o filme não é tão bom quanto o livro. Você já assistiu?

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    1. Oi Renata,
      Já assisti sim, na verdade é o filme escolhido da próxima coluna do Das páginas...Para as telas.

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  6. Oi Natália!
    Tudo bem?
    Recebi meu prêmio que vc enviou, o livro Esconda-se da Lisa Gardne q ganhei dos15 blogs amigos que se uniram na Promoção Folia de Livros!! Iupi!!!! Muito feliz! Obrigadaaaa! Desejo muito sucesso a todos os blogs que participaram! Beijos!

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  7. Esse livro também é um dos meus favoritos!
    Adorei a narrativa do autor e cada personagem, gostei até da Rosa, Amei o Hans! Adorei o relacionamento que ele tem com a Liesel, sua sensibilidade com ela e seus momentos de sabedoria. Gostei muito da resenha!!
    Beijos

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  8. Sem palavras. Tenho vontade de ler esse livro desde que ouvir falar sobre pela primeira vez. O meu único problema foi não ter comprado ainda.
    Acho a história fascinante, super bem montada e como você falou tem toda uma construção pela morte, o que eu achei bem diferente. Acho que o livro prende o leitor de uma forma diferente dos outros livros. E sem contar que o autor é um cara absurdo com as palavras, não?
    Enfim, resenha maravilhosa. Sintetizada, mas muito bem explicativa e interessante.
    Beijos

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    1. Primeiramente obrigado !
      e concordo muito, com essa sua frase: Acho que o livro prende o leitor de uma forma diferente dos outros livros. E sem contar que o autor é um cara absurdo com as palavras, não?

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  9. Já faz algum tempo que li esse livro, mas é impossível esquecer dessa história incrível. O autor faz a morte parecer um personagem tão legal e ao mesmo tempo faz nos sentir estranhos por dizer isso. A Liesel é uma menina encantadora o que faz com que, apesar do drama, a história adquira um certo tom de leveza. Espero ter a oportunidade de reler o livro. =)

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  10. A Menina Que Roubava Livros, para mim, é um caso à parte. Simplesmente porque é um dos meus favoritos (só tenho 3). No começo, meu ritmo de leitura foi bem lento, acho que assim como o seu. Mas depois, eu comecei a devorar o livro. Foi o primeiro livro que fez com que algumas poucas lágrimas saíssem involuntariamente dos meus olhos (até então, eu nunca havia tido esse tipo de reação com nenhum livro). Foi o primeiro -de dois- livro que mexeu comigo dessa forma. Pra mim, é um livro perfeito. Amo de todas as formas. Desde a capa (a antiga, não a nova que lançaram depois do filme ¬) , passando pela narração até chegar a história como um todo. Quando houve a adaptação para o cinema, eu sabia que eu não iria gostar, pois eu queria que o filme fosse exatamente igual ao livro e sabia que não ia ser assim. Mas, mesmo assim, fiquei chateada. Mudaram muitas coisas, e quem apenas viu o filme não entendeu a essência da história que o livro passa. :/
    Enfim, adaptações de lado, é um livro perfeito. *-*
    bj, dréa

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  11. Esse livro parece ser mesmo muito bom, tem pessoas que dizem que é chato e outras que dizem que amam, mas acho que só dá para descobrir lendo. Adorei a resenha, pareceu um livro que mexe muito com os sentimentos do leitor e aprecio muito isso! O enredo é interessante, nunca li nada narrado pela morte e fiquei curiosa para saber o final, espero ler em breve também! :)

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  12. Sempre ficava namorando este livro quando ia na biblioteca, mas no final nunca pegava para trazer. Agora o filme saiu, e eu não li ainda. Uma pena.
    Bjs, Rose

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  13. Vi o filme por esses dias e pretendo ler em breve pois o livro está aqui comigo há uma vida e nunca consigo pegar para ler, já li um monte de coisa na frente...dessa vez eu vou ler!
    bj
    Renata
    http://leiturassemfim.blogspot.com.br/

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  14. Diego arrasou na resenha!
    Eu li esse livro duas vezes, na primeira não gostei, achei chato. Depois vi tantas opiniões favoráveis que não me conformei e resolvi ler de novo. E achei lindo rs, meu ponto negativo também foi a narradora ser afobada pra contar as coisas.

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    1. Obrigado Fernanda =) ! Que bom que tenha gostado.

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  15. Olá Diego!!Tudo bem??
    Li este livro a muito tempo tempo e simplesmente amei sua historia, e com toda certeza é um dos meus livros preferidos... Depois que fiquei sabendo sobre o filme me bateu aquela vontade de reler e comprei ele ( pois quando li meu exemplar era emprestado), mas ainda não tive a oportunidade de ler, mas depois de ler tua resenha, com certeza será uma das minhas próximas leituras!!

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  16. Eu, sinceramente, acho que esse livro é o melhor que já li na vida, é tão lindo..sim, é uma história triste, mas é muito emocionante também, eu devo ter chorado rios, fiquei tipo uns 5 minutos olhando pro nada depois do fim do livro. É simplesmente lindo como o autor narra o crescimento das relações com o pai, a amizade com Max..nos faz pensar.
    E-mail: juliamariamoraes2013@gmail.com
    Nome de seguidor: Julia Moraes

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  17. Achei bem bacana o final do livro e a forma como o autor usou a morte para narrar. Era de se esperar certa frieza. Afinal, a morte está acostumada a levar pessoas, não?
    Adorei esse final no filme, denotou mais um lado emocional. Pode até ser um pouco chocante, mas eu adorei.
    Li o livro há um bom tempo, então mal me lembro do enredo. Lembro que me emocionei bastante nas cenas finais e que o adorei após terminar de ler.
    É um livro muito bom com um começo bem chatinho.

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  18. Muito boa a resenha, merecia 5 estrelas esse livro viu...
    A história é incrível, o fato da morte narrar toda ela é um toque essencial para que as pessoas se apaixonem por ela (ao meu ver)...
    Infelizmente eu não vi o filme ainda mas não vejo a hora de vê-lo (mas já saiu do cinema daqui).

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